sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PROCURA-SE UMA NOVA TERRA

O que é necessário para que haja vida em algum planeta? Somente a Terra tem vida? Pode haver vida em outros planetas do Sistema Solar? Essas perguntas ainda estão em discussão entre os astrobiólogos. Não existe consenso, aliás, longe disso. Mas existem quesitos em que todos (ou quase todos) concordam.

Primeiro de tudo, para haver vida em um determinado lugar, ou ela tem de vir de outro lugar ou tem que surgir neste lugar. Se vier de outro lugar, ela deve ter surgido nesse outro lugar, ou vindo de algum outro... então, para não ficar empurrando o problema adiante, o que é necessário para que a vida surja?

  1. Carbono: O carbono é um átomo capaz de fazer 4 ligações, comparado apenas ao silício, e portanto é necessário para que se montem moléculas muito grandes (chamadas orgânicas). Mas e o silício? Essa é outra discussão sem resposta... vamos focar na vida a base de carbono, como a nossa.
  2. Água. Não me perguntem porque, mas a água é o único meio fluido bipolar, o que é necessário para criar um ambiente em que o carbono, juntamente com outros átomos, formem as moléculas orgânicas, fora que deve estar em estado líquido, o que só ocorre numa faixa de cerca de 100 graus de amplitude.
  3. Zona Habitável. Essa já é uma discussão um pouco mais interessante... a zona habitável de uma estrela é a faixa na qual um planeta que a orbite possa manter a água em estado liquido em sua superfície, isto é, temperaturas que permeiem entre 0 e 100 graus centígrados. No caso do Sol, a zona habitável fica mais ou menos entre Vênus e Marte, deixando a gente bem no meio. Porém, outros fatores podem favorecer ou desfavorecer isso: Água em grandes profundidades, próximo do núcleo do planeta, caso ele ainda possua núcleo quente... efeito estufa mais ou menos expressivo, etc.
  4. Gravidade. A gravidade sendo um pouco maior pode garantir que o planeta concentre mais atmosfera, que é necessária para equilibrar a temperatura à superfície de um planeta. Além disso, a pressão atmosférica pode manter a água em estado líquido, como na Terra, ou forçá-la ao estado gasoso, como no caso de Marte, que tem pressão atmosférica bem menor.
  5. Elementos necessários para a manutenção da célula. Aqui nós estamos avaliando o que é necessário para a vida como conhecemos, que é a partir de células. Para que uma célula sobreviva serão necessários elementos formadores dela e do genoma, que são: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. 
Talvez eu não tenha citado todos os fatores necessários para o surgimento  mas a verdade é que podem ser resumidos em 2: hidrocarbonetos e água líquida. Bom, se em determinado momento a vida pode surgir, começa a segunda etapa, que é ela permanecer viva.

  1. Relativa estabilidade. a vida surge, mas se as condições ambientais necessárias a ela se perderem, ela pode simplesmente desaparecer. Isso inclui temperatura, composição do ambiente, pressão atmosférica ou do fluido, fonte de energia e exposição a radiação.
  2. Fonte de energia. Estar vivo é um gasto constante de energia, e o 'combustível' tem que ser tirado de algum lugar. O que temos de mais comum são a fotossíntese e a oxidação. Na primeira, é necessária luz solar, enquanto a segunda necessita de oxigênio. Fontes de calor e quebra de moléculas também são boas fontes de energia. Outra provável fonte é a radiação ionizante.
  3. Temperatura. Por mais forte que uma célula a base de carbono seja, ela não vai suportar uma temperatura acima de 150 º C. Acima dessa temperatura, as moléculas orgânicas se quebram. Se ficar frio demais também, a célula pode simplesmente se congelar. Dentre os organismos unicelulares o limite de temperatura mais baixa está em cerca de 50 º C negativos.
  4. Proteção contra a radiação ionizante (raios X e raios Gama) e ventos solares. Essa proteção pode aparecer sob a forma de campo magnético ou camada de ozônio (como na Terra) ou pode ser a própria água ou o solo, caso a vida seja imersa ou no subsolo. Toda estrela emite essa radiação, que é nociva a praticamente qualquer molécula, especialmente a orgânica. Mesmo assim, existem estratégias biológicas capazes de suportar isso, como as espécies de bactérias da família Radiodurans. O oxigênio é tão nocivo as moléculas orgânicas quanto a radiação... porém, a vida passou a utilizar a oxidação como um meio de obtenção de energia, e o mesmo poderia ocorrer com a radiação ionizante, porque não?!
  5. Variação ambiental. Deve estar em certo equilíbrio com a estabilidade. Na verdade, esse fator não é necessário para que a vida se mantenha, mas sim para que ela se desenvolva, se torne pluricelular ou quiçá inteligente. Se houver apenas estabilidade, e nenhuma mudança, a vida vai se acomodar, e haverá um planeta repleto de pequenas células. Se as variações forem muito bruscas ou intensas, a vida pode se extinguir completamente. Caso haja um certo equilíbrio entre estabilidade e mudanças, teremos evolução.
Claro que existem mais fatores necessários e favoráveis, mas estes são os principais. No Sistema Solar restam poucos lugares que possam abrigar vida, segundo esses quesitos, como o subsolo de Marte, os prováveis oceanos de Europa (satélite de Júpiter) ou de Encélado (satélite de Saturno). Ainda assim, há quem aposte em vida em lugares menos favoráveis, como Io (satélite de Júpiter), Vênus (eu estou estudando isso) e Titã (satélite de Saturno). No caso desse ultimo, existe maior probabilidade de ser vida a base de silício e metano, ao invés de carbono e água... mas essa é uma outra discussão.

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